Alexandre Staut, pinturas
Sobre a obra
Alexandre Staut se define como um pintor de paisagens. A partir das memórias da Serra da Mantiqueira, desenvolve aquilo que chama de “paisagens mentais”, construídas em camadas de cor — sobretudo a “terra verde”, que funciona como um solo simbólico de onde as imagens emergem. Em suas telas, há sempre uma tensão entre o visível e o oculto: céus e árvores parecem atravessados por uma presença que não se revela completamente.
Durante cerca de dez anos, essa pesquisa se desenvolveu dentro de uma paleta restrita — gris de Payne, terra verde, azul radiante e, às vezes, rosa. Com o tempo, porém, esse limite cromático passou a impor um bloqueio. A necessidade de interromper esse percurso levou ao surgimento da série "Partituras", como um espaço de retomada da pintura a partir da cor.
Em "Partituras", a cor deixa de servir à representação e passa a ser o próprio assunto. As obras, realizadas com bastões de óleo e tinta a óleo sobre linho, se organizam por meio de um vocabulário mínimo: pequenos traços que se repetem com variações de ritmo e intensidade, como uma espécie de notação. As superfícies terrosas ainda guardam algo das paisagens anteriores, mas agora funcionam como campo de silêncio.
Sobre essa base, a cor atua de maneira mais livre — às vezes como interrupção, às vezes como irradiação — criando tensões entre controle e dispersão. A pintura deixa de representar um lugar e passa a se afirmar como experiência. Assim, "Partituras" não rompe com a pesquisa anterior, mas a radicaliza: a paisagem já não aparece como imagem, e sim como ritmo, presença e tempo dentro da própria pintura.