Alexandre Staut, pinturas
Sobre a obra
A minha pintura nasce de uma pergunta simples: ainda é possível fazer uma pintura que celebre a beleza sem nostalgia, ironia ou excesso de explicações? Interessa-me construir imagens que existam, antes de tudo, pelo prazer de olhar. A cor, a luz e a composição não são recursos para ilustrar um conceito, mas a própria matéria da investigação.
Penso muitas dessas pinturas como uma espécie de haikai visual. Interessa-me dizer muito com poucos elementos: uma árvore, uma flor, um galho, uma linha de horizonte, uma pequena interrupção de cor. Como no haikai, há uma tentativa de condensar uma experiência e deixar que aquilo que não está dito também participe da imagem. A paisagem surge menos como descrição de um lugar e mais como um acontecimento breve, uma percepção.
Nesse sentido, o próprio fundo da tela participa ativamente da obra. Trabalho muitas vezes deixando o linho aparente, e sua cor, sua textura e suas pequenas irregularidades passam a integrar a composição. O linho não é apenas o suporte sobre o qual a imagem acontece: ele traz informação, cria intervalos e estabelece silêncios.
As cores ocupam um lugar central nesse percurso. Elas não descrevem o mundo como ele é, mas como ele pode ser sentido. São cores vivas, por vezes improváveis, que transformam árvores, flores e paisagens em pequenas construções autônomas.
Meu interesse está em produzir pinturas que convidem o olhar a desacelerar. Acredito que a contemplação, o prazer visual e a intensidade da cor ainda têm potência para transformar a maneira como nos relacionamos com as imagens. Talvez seja essa a investigação que atravessa meu trabalho: recuperar a beleza como uma experiência contemporânea, livre de ingenuidade e, ao mesmo tempo, livre do cinismo, pois, para mim a pintura é um espaço de contemplação, um lugar em que a cor pode despertar surpresa e devolver ao mundo um pouco de sua capacidade de encantamento.