Alexandre Staut, pinturas
Sobre a obra
O pintor se dedica nos últimos anos à série “Caligrafias”, em que a pintura se aproxima do gesto da escrita. O traço não descreve uma forma reconhecível, mas afirma um movimento direto, quase automático, que se inscreve na superfície. As obras trazem uma repetição de marcas que não busca padrão, e sim intensidade, como se cada linha testasse os limites entre controle e liberdade. Em muitos trabalhos, as cores saturadas e a condução mais livre do gesto introduzem também uma dimensão lúdica, próxima da experiência do desenho e da improvisação.
O fundo da tela participa ativamente desse processo. A superfície não é neutra: ela resiste, absorve, deixa o gesto aparecer e desaparecer. As áreas que mostram o linho da tela surgem como pausas e interrupções, criando um ritmo irregular que conduz o olhar sem oferecer um caminho fixo. O resultado é uma escrita sem idioma definido, onde o sentido não está em decifrar, mas em acompanhar o movimento.
Originalmente escritor, Alexandre encontrou na pintura um deslocamento natural do gesto de escrever. Em vez de organizar palavras, passou a lidar com marcas, com uma inscrição mais direta, menos mediada pela linguagem. Há algo de contínuo entre uma prática e outra, como se o impulso fosse o mesmo, apenas transformado em outro tipo de registro visual.
Nesse processo, a caligrafia deixa de ser instrumento de comunicação para se tornar presença física. O traço não precisa ser lido, mas percebido em sua materialidade, em sua velocidade e em suas pausas. É uma escrita que se afasta do significado convencional e se aproxima do ritmo e do corpo. Nesse sentido, uma frase de Pierre Bonnard acompanha essa pesquisa: “Desenhar o seu prazer, pintar o que lhe dá prazer, expressar o seu prazer com intensidade”.
“Caligrafias” se torna, assim, um campo em que escrever e pintar se confundem, onde o gesto carrega um pensamento sem precisar traduzi-lo em palavras.
Exposições
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Coletivas
“Mostra Apenas”, curadoria de Roberta Segura (2021); “Projeto Vitrine”, na Galeria das Artes, curadoria de Roberta Segura (2022); Casa Yara DW, mostra “Se fosse um verde vivo”, curadoria de Caio Bonifácio (2025), todas em São Paulo.
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Individual
“Visões da Mantiqueira”, na Villa do Poeta, curadoria de Tina Salles (2026), em Espírito Santo do Pinhal (SP).
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Suas obras integram as coleções particulares de Alexandre Martins Fontes e Mário Loureiro.