Alexandre Staut, pinturas
Sobre a obra
A minha pintura nasce de uma pergunta simples: ainda é possível fazer uma pintura que celebre a beleza sem nostalgia, ironia ou excesso de explicações? Interessa-me construir imagens que existam, antes de tudo, pelo prazer de olhar. A cor, a luz e a composição não são recursos para ilustrar um conceito, mas a própria matéria da investigação.
Embora dialogue com um certo imaginário ingênuo, minha produção não busca o universo da pintura naïf brasileira em seu sentido histórico. O que me interessa é preservar um olhar desarmado sobre a paisagem, como quem ainda é capaz de se surpreender diante das árvores, do céu, das flores ou de um pequeno jardim. É uma pintura que prefere a delicadeza ao espetáculo e a simplicidade ao excesso.
As cores ocupam um lugar central nesse percurso. Elas não descrevem o mundo como ele é, mas como ele pode ser sentido. São cores vivas, por vezes improváveis, que transformam a paisagem em um espaço de encantamento. A pintura deixa de representar um lugar específico para construir um estado de espírito.
Meu interesse está em produzir pinturas que convidem o olhar a desacelerar. Acredito que a contemplação, o prazer visual e a intensidade da cor ainda têm potência para transformar a maneira como nos relacionamos com as imagens. Em um tempo marcado pelo excesso de estímulos, a pintura pode oferecer uma experiência silenciosa, direta e profundamente sensível.
Talvez seja essa a investigação que atravessa meu trabalho: recuperar a beleza como uma experiência contemporânea, livre de ingenuidade e, ao mesmo tempo, livre do cinismo. Acredito na pintura como um espaço de prazer, de contemplação e de afeto — um lugar onde a cor ainda pode despertar surpresa e devolver ao mundo um pouco de sua capacidade de encantamento.